|
|
|
24.3.08
50 assassinatos
Todos têm acompanhado o que tem acontecido no Rio de Janeiro, dita como “cidade maravilhosa”, com relação aos problemas da epidemia de dengue. Embora o fraco ministro da Saúde, José Gomes Temporão, continue insistindo que isso não é uma epidemia, não tem como negar, já que são quase 24 mil casos confirmados desde os primeiros dias de 2008 (só na Capital), uma média de 300 novos casos por dia, com a 50ª morte confirmada hoje. Em três meses, o número é mais da metade do registrado em 2002, quando o Estado enfrentou uma das maiores epidemias de dengue dos últimos anos, com 91 mortes, sendo 64 na Capital.
E, para tirar o dele da reta ainda mais, o ministro teve a pachorra de culpar a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro como o grande responsável pela epidemia. Mesmo sendo considerado o culpado, o prefeito César Maia colocou toda a sua equipe na rua, para lutar contra o mosquito, e até as Forças Armadas já estudam uma forma de ajudar a cidade e o Estado. Até famosos, como o apresentador Luciano Huck, estão infectados com a doença.
Agora, o ministro José Gomes Temporão anunciou ações do governo federal para o combate à doença. As medidas "garantem" a contratação de 660 profissionais de saúde; a abertura de mais 119 leitos nos hospitais federais, incluindo 32 de UTI; o reforço de profissionais da Funasa no combate aos vetores; a implantação do cartão de acompanhamento do paciente e a intensificação de ligações de telemarketing nas áreas mais atingidas pela doença. Agora, depois que uma cidade inteira está infectada, assustada, amedrontada, morrendo nas filas dos hospitais, que também não estão lá essas coisas.
O presidente Lula disse que "a hora não é de apontar culpados, mas de deter a doença, dar atenção aos infectados e evitar o acúmulo de mortes". Mas é bom lembrar, presidente, que o causador de toda a confusão foi única e exclusivamente o seu ministro da Saúde, que poderia ter começado um trabalho de prevenção muito, mas muito tempo antes. Admira-me ele ainda ter ido para Cuba ou outro país bem longe, já que fez isso no início do ano, quando Goiás vivia uma crise de febre amarela (até então erradicada no Brasil).
Ele não é daqueles ministros que gostam de enfrentar as crises. É da turma do "relaxa e goza", da turma que não responde perguntas de humoristas em saídas de festas, da turma que compra tapiocas com o cartão corporativo... Ou seja, está no cargo apenas por estar, para aproveitar, faz seus funcionários trabalharem como bem entenderem e, quando são chamados para resolver as crises, não fala com a imprensa, viaja para fora do Brasil, relaxa e goza.
É desses tipos de ministros que estamos cercados. Que só aparecem para mostrar serviço depois que a bomba estourou. Gente que, em 2011, está aposentada, ganhando uma gorda bolada dos cofres públicos (leia-se seu dinheiro) e sentada na frente da sua televisão de plasma para ver a desgraça do povo, como sempre.
Abração a todos!
Postado às 5:41 PM por Renato Corona.
Comente:
20.3.08
Sem a menor vergonha
Em duas semanas, por quatro vezes foram quebrados os recordes de lentidão entre 9 e 9h30 na cidade de São Paulo. No dia 12, a maior marca do período foi de 186 quilômetros, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). À noite, o índice também se mantém elevado e chegou a 221 quilômetros de engarrafamento. Depois desta série de congestionamentos recordes, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab resolveu lançar nesta semana um pacotão de medidas para melhorar o trânsito na cidade.
Com toda a pompa de campanha, Kassab deu um verdadeiro show de medidas: anunciou obras em ruas, rotas alternativas, adequação de sinalização, restrição para carga e descarga e estacionamento em determinadas vias, entre outras ações. Com aquele ar de “que idéia brilhante, por que não pensei nisso antes”, o nosso estimado prefeito quer resolver o problema do trânsito.
Se você quer resolver mesmo, prefeito, comece colocando gente pra trabalhar na rua. Faça esse monte de vagabundo que está registrado na CET (sim, registrado, porque trabalhar lá, poucos trabalham) ir para as ruas para organizar o trânsito e dar mais fluidez aos carros.
Apenas para dar um pequeno exemplo ano nosso amigo leitor deste singelo blog, nos anos em que a cidade foi governada pela hoje deputada federal Luiza Erundina (de 1989 a 1992), a CET tinha cerca de 4 mil funcionários, 3 mil deles atuando diretamente nas ruas, e a cidade tinha uma frota de 3 milhões de automóveis. Hoje, com o dobro de carros nas ruas, quase 6 milhões, o órgão de trânsito tem menos funcionários (3,7 mil) e o número dos que estão na rua não chega a 2 mil. Ou seja, o que deveria crescer proporcionalmente, está diminuindo consideravelmente.
Para onde está indo o dinheiro que deveria ser investido todo mês no trânsito da Capital? Sim, porque há dinheiro, e muito, para o trânsito. A cada ano, é mais dinheiro que a Prefeitura destaca para este problema, um dos maiores da cidade. Há quem diga que o governo paulistano está com cerca de R$ 6 bilhões investidos, fazendo render para “viver de juros”, e que parte deste dinheiro é que deveria ser investido no trânsito. Que economia burra é essa?
O governador José Serra admitiu que “São Paulo tem problemas graves de transportes”. Descobriu a América. E Kassab teve a coragem de dizer, sem a menor vergonha, que está “corrigindo um grande equívoco das administrações anteriores”. Tenho dó do próximo prefeito, que deverá corrigir os erros que Kassab cometeu tentando corrigir os erros dos outros. E, se Deus quiser, o próximo prefeito não será Kassab.
Ah, e outra coisa, Senhor prefeito. O dia que algum morador, que estiver parado no trânsito ao seu lado, abrir o vidro para reclamar que estas medidas não serviram para nada, não se descontrole... Não saia gritando, chamando mais um munícipe, pagador de impostos, pagador do seu salário, de vagabundo.
Grande abraço!
Postado às 5:06 PM por Renato Corona.
Comente:
17.3.08
Em quem você votou?
Estamos em ano de eleição. É agora que começam os discursos do tipo "você se lembra em quem votou na última eleição?", ou "pense bem na hora de votar". São frases feitas, chavões que fazem parte de qualquer campanha eleitoral, que faz os brasileiros colocarem a mão na cabeça e descobrirem, dois ou quatro anos depois, que não lembram que número digitaram na urna eletrônica nas últimas eleições.
Assistindo "Pânico na TV" no último domingo, dia 16 (um dos poucos programas que me faz rir, satirizando quem deve ser satirizado, as celebridades), em um dos diversos quadros que o programa tem, um repórter fazia duas perguntas aos pedestres de São Paulo. A primeira delas era "quem foi o eliminado na última semana do Big Brother Brasil 8". Todos os abordados respondiam de bate-pronto: Marcelo. Na seqüência, uma outra pergunta: "quem é o vice-presidente do Brasil?" Ninguém sabia responder.
Outra pergunta que ficou sem resposta foi justamente sobre eleição. O repórter perguntava "em quem você votou no último paredão do BBB8?", e a resposta, claro, vinha na mesma velocidade da pergunta. Agora, quando o transeunte ela questionado sobre seu voto na última eleição, o repórter também não recebia nenhuma resposta.
Por quanto tempo mais teremos que conviver com este tipo de situação? Será que, mesmo com estes apelos (às vezes até dos próprios políticos) de que devemos nos lembrar de quem votamos, é mais fácil lembrar deste ou daquele pseudo-famoso que foi eliminado de um programa de televisão completamente sem nexo? Será que, mesmo com meios de comunicação e canais exclusivos, que mostram o dia-a-dia dos políticos, ainda tem gente que não sabe quem colocou lá dentro?
Sim, amigos leitores. Ainda tem muita gente que só pensa em eleição, em votação, quando interesses próprios estão em jogo. Ainda tem muito cidadão que vota neste ou naquele que prometeu ajudar durante a campanha e, depois de votado, nem se lembra que este cidadão existe. E maior ainda é o contingente de cidadão que acha que já fez muito em votar, que não deve cobrar, nem ao menos questionar o seu candidato, aquele que está a serviço do cidadão.
Não sou eu, não é você, não é um pequeno grupo de 15, 20 pessoas que vai mudar isso. Também não sou eu que pretendo enfiar essa consciência na cabeça de todo mundo. Eu tenho a minha consciência, sei exatamente quem devo cobrar, cobro sempre, e coloco a minha cabeça no travesseiro, toda noite, rezando para que o povo abra os olhos para isso e comece a se movimentar mais.
Eu faço a minha parte, sempre esperando que você faça a sua.
Grande abraço!
Postado às 11:48 AM por Renato Corona.
Comente:
|
|