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11.12.07
Vereadores desgovernados
Quando escrevi no meu último post sobre o rodízio e terminei a nota dizendo que os políticos “realmente não se preocupam com isso, já que carros oficiais são isentos de rodízio”, nunca imaginei que seria tão profético. Acabo de ler uma notícia que me estarreceu, que só poderia ter vindo da cabeça do vereador Adilson Amadeu.
As placas dos veículos utilizados por vereadores em São Paulo serão trocadas para que eles não sejam atingidos pela restrição do rodízio de veículos. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os parlamentares aproveitarão um privilégio concedido por norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) a presidentes de Câmaras Municipais: o uso de placas diferenciadas (pretas e sem a numeração e letras tradicionais).
O vereador Adilson Amadeu (PTB) defende a medida argumentando que um parlamentar de uma cidade como São Paulo não pode "ficar podado de andar em um dia de rodízio". Para ele, "isso (o uso de placa especial em carros parlamentares), perto dos 5,7 milhões de veículos (que circulam), é um pingo no oceano".
Amadeu informa que as placas estão sendo compradas. O processo está em fase de avaliação de preços. A expectativa é de que em 15 dias todos os carros estejam com as novas placas. Os vereadores de São Paulo têm à sua disposição 61 carros.
Juridicamente, a Casa se defende dizendo que a medida é uma "questão de eqüidade", já que os carros do Tribunal de Justiça e da Assembléia Legislativa gozam do privilégio.
O Carlos, leitor assíduo aqui do blog, fez um comentário assaz interessante, e que vale a pena ser divulgado. “Foi feita uma manobra sórdida, alugando carros (Astra) como se fossem para o presidente da câmara dos vereadores. Espertinhos, não? Minha sugestão seria que todos os políticos usassem transporte público e, seus filhos, escolas públicas. Quem sabe assim a qualidade não melhoraria...”
O que comentar de uma atitude como essa do vereador Adilson Amadeu? Dar uma de espertalhão só pra não cumprir o que todo paulistano deve cumprir? Usar de prerrogativas chulas pra ser melhor que o trabalhador paulistano? Tirar vantagens sobre a população que paga seu salário? E será que ele não tem vergonha dessa atitude?
Ano que vem, ele estará aqui em Vila Prudente e na Mooca, bairros onde sempre estou, pedindo votos. Para mim, uma pessoa como essa não é paulistano.
Abração!
Postado às 3:52 PM por Renato Corona.
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7.12.07
Rodízio desgovernado
Agora mais essa: A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação na quarta-feira, dia 5, um projeto de lei do vereador Ricardo Teixeira (PSDB) que amplia o rodízio de veículos em São Paulo. Se o projeto virar lei, metade dos veículos ficarão impedidos de circular durante uma hora e meia durante a manhã (entre as 7h e as 8h30 ou entre as 8h31 e as 10h) e mais uma hora e meia durante a tarde (entre as 17h e as 18h30 ou entre as 18h30 e as 20h), de segunda a sexta. A determinação da restrição ocorreria de acordo com o final da placa – se é par ou ímpar – e com o ano.
Trocando em miúdos, em anos ímpares, ficariam impedidos de circular de segunda-feira a sexta-feira das 7h às 8h30 e das 17h às 18h30, carros com finais 1, 3, 5, 7 e 9; e os carros com placas pares ficam impedidos de circular das 8h31 às 10h e das 18h31 às 20h. Nos anos pares, o horário da restrição seria invertido. Entendeu? Tudo bem, eu também demorei pra entender. E não concordei.
"Uma carroça anda a 18 km/h. Nos horários de pico, a marginal anda a 10 km/h. A cidade é um trem indo em direção ao muro. Por isso me vali da minha capacidade técnica e elaborei este projeto", foi o que disse o vereador, que é funcionário da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) há 30 anos (atualmente licenciado para exercício de cargo legislativo).
Essa notícia caiu como uma bomba no colo dos paulistanos. Hoje, do jeito que é o rodízio, muita gente já reclama. Concordo que há realmente uma sobrecarga de carros na cidade, que a indústria automobilística cresceu e está facilitando cada vez mais a venda de carros e toda aquela ladainha já conhecida. Mas vai convencer o paulistano a deixar o carro em casa com o transporte público do jeito que está. Vai pedir para uma pessoa comprar um bem e ter seu uso restrito a determinados horários. Eu, por exemplo, tento evitar os horários restritos, mas não deixo de sair com meu carro de casa. É meu, uso-o quando quiser. Querem restringir ainda mais a minha liberdade de ir e vir?
Bem, o projeto ainda deve sofrer emendas e passar por nova votação antes de ser encaminhado para sanção do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Este, por sua vez, disse que "nenhuma alteração será feita de maneira abrupta no dia-a-dia das pessoas. A administração municipal tem responsabilidade". Ele não antecipou se irá vetar ou não o projeto. Claro, já começou a medir as ações, já que o ano eleitoral está batendo à porta. Disse ainda que a prefeitura analisará com cuidado a questão, caso o projeto seja aprovado em segundo turno.
Isso é típico daquele menino invejoso que não sabe jogar bola e, por isso, atrapalha o jogo dos outros. Se a prefeitura não cumpre sua obrigação de fornecer transporte público de qualidade, não venha me tirar o direito de ter e usar o transporte que eu quiser, que comprei com meu suado trabalho.
Eles realmente não se preocupam com isso, já que carros oficiais são isentos de rodízio.
Abração!
Postado às 4:08 PM por Renato Corona.
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