Nome: Renato Corona
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Formação: Jornalista, Radialista e Apresentador de TV
Empresa: PAULISTANO e ALLTV
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30.5.08

Células-tronco liberadas



Com um placar apertado, as pesquisas com células-tronco embrionárias foram liberadas no País. O Supremo Tribunal Federal (STF), numa sessão marcada por duelos argumentativos entre os ministros, pôs fim, depois de três sessões, 20 horas de debate em plenário, ao embate judicial que durava exatos três anos e colocava em lados opostos grupos religiosos e cientistas. Por 6 votos a 5, a Lei de Biossegurança, que permite as pesquisas com células-tronco embrionárias para fins terapêuticos, foi julgada constitucional. Os cinco ministros vencidos liberavam os estudos, mas sugeriam diferentes restrições, algumas que poderiam comprometer as pesquisas, conforme cientistas. Nenhuma delas, entretanto, foi referendada.

Bastou o ministro Marco Aurélio Mello confirmar, em plenário, que liberaria as pesquisas para cientistas, cadeirantes e advogados começassem a comemorar. "Todos ganham com esse resultado: a ciência, o País, os pacientes", comemorou a pesquisadora Patrícia Pranke, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

"Todos vamos nos beneficiar dessa vitória. Temos uma enorme responsabilidade pela frente. Quero deixar claro que não estamos prometendo cura imediata, mas dar o melhor de nós nas pesquisas", afirmou a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo (USP). "Queremos que os pacientes saibam que vamos lutar pelas mesmas condições de saúde do Primeiro Mundo", complementou.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem todo direito de lamentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), dizendo que o embrião é "uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia", e que, por isso, "tem direito à proteção do Estado".

Porém, assino embaixo o que disse o ministro Marco Aurélio Mello. "Aqui não se trata de questionar a gestante a ficar fisicamente conectada a outra, mas sim de definir o destino dos óvulos fecundados que fatalmente seriam destruídos e que podem e devem ser aproveitados na tentativa de progresso da humanidade". Também gostei da argumentação do ministro Carlos Ayres Britto. "Vida humana é o fenômeno que transcorre entre o nascimento e a morte cerebral. No embrião o que se tem é uma vida vegetativa que se antecipa ao cérebro."

Ninguém aqui no Brasil vai matar alguém para fazer estudos ou coisa do gênero. A pesquisa com células-tronco é algo muito sério e que será muito útil para toda a humanidade. Pergunte, por exemplo, a um cadeirante, uma pessoa que seja paraplégica ou qualquer outro deficiente se ele quer continuar com esse problema até o fim de sua vida. As células-tronco podem facilitar, e muito, a vida de todos.

A democracia está aí para isso, para discutirmos os assuntos e debatermos até o último argumento. Mas, se você é contra as pesquisas, antes de correr para o link de comentários, pense um pouco: se, algum dia, você, ou algum parente seu, precisar realizar um tratamento com células-tronco para salvar a vida, você vai continuar contra?

Abração.

Postado às 11:44 AM por Renato Corona.
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26.5.08

Demagogia ou dupla personalidade?



Às vezes eu custo a entender o que se passa na cabeça, ou melhor, nas idéias do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Recentemente, o Instituto Datafolha divulgou uma pesquisa para o pleito municipal que aponta a ex-prefeita Marta Suplicy e o ex-governador Geraldo Alckmin tecnicamente empatados em primeiro lugar, com 30% e 29% respectivamente. O atual prefeito Kassab aparece bem atrás, com 15% da intenção dos votos.

Mas Kassab, mesmo atrás nas pesquisas, continua com a idéia de que é o maioral, inclusive desdenhou a dita pesquisa, dizendo que "O eleitor não está preocupado com eleição" (?). Porém, ele ainda não decidiu se fala mal da ex-prefeita, primeira nas pesquisas, ou se elogia, pensando em apoios para a disputa contra Alckmin.

Há cerca de duas semanas, o prefeito Kassab criticou com veemência a mãe do roqueiro Supla. Em tom agressivo e sem citar nomes, Kassab criticou a existência de escolas de lata na gestão passada e o “sucateamento” dos equipamentos de trânsito. Ele também chamou de “lamentável” a falta de investimento no metrô.

Kassab mencionou o aumento de taxas, um dos pontos fracos da administração petista. “Apesar de não aumentar a carga tributária, fizemos muito mais com os recursos. É fácil comparar. É possível fazer mais com menos recursos”, disse ele. Marta não comentou os ataques.

Porém, dias depois, na semana passada, Kassab resolveu mudar o discurso. Não se sabe se ficou com "medo" do público que o vaiou e aplaudiu a dupla Lula-Marta, mas o discurso dele afinou bastante. Na inauguração de obras do PAC (o que é isso mesmo?) na favela de Heliópolis, o prefeito disse que "essa administração soube dar continuidade a ações importantes da gestão anterior".

Definitivamente, ele não se decide. E essa confusão toda pode ser fatal para sua candidatura à reeleição, já que os petistas não vão depositar seu voto de confiança em um político que fala mal das obras da gestão anterior, e um tucano não vai apoiar um político que passa a mão na cabeça de Marta e dá continuidade a "ações importantes" da gestão anterior.

Ele precisa descer do muro urgente, já que as convenções dos partidos estão batendo à porta e o tempo está, literalmente, acabando.

Abração e boa semana!

Postado às 12:16 PM por Renato Corona.
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7.5.08

Exemplo para os filhos

Recebi um vídeo por e-mail e faço questão de compartilhar com vocês, amigos leitores do blog. É um vídeo feito por uma associação da Austrália chamada "Child Friendly". Pelo que entendi, esta associação ajuda a tornar as crianças mais amigáveis, colaboradoras e respeitadoras. Parece uma coisa piegas, mas o vídeo produzido por esta associação diz tudo.

Em um minuto e meio, eles mostram que as crianças, os filhos, sempre fazem aquilo que os pais fazem, até pelo fato daquela velha máxima de que “os pais são espelhos para seus filhos”. São retratadas pequenas ações feitas por adultos, com uma criança fazendo exatamente a mesma coisa. Em adultos, são atitudes infelizmente comuns, mas quando colocamos uma criança junto, vendo e fazendo a mesma ação, mostra o quanto um adulto pode estragar e influenciar a vida de uma criança.

Não sei se consegui explicar muito bem, mas é simples: a criança faz aquilo que ela vê os pais fazerem. E o vídeo chega a ser chocante por retratar esta afirmação ao pé da letra. Vendo o vídeo, vai ser mais fácil entender.

Um bom exemplo para o casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá. Independente da culpa ou da absolvição dos dois no caso da morte da pequena Isabella, os outros dois filhos menores estão assistindo a tudo isso calados e, no futuro, quem garante que eles não farão a mesma coisa?



Grande abraço!

Postado às 12:09 PM por Renato Corona.
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28.4.08

Desabafo de um saudoso

Por Fernando Toro

Que saudades do futebol, barbaridade! Daquela sensação indescritível dos domingos colados em um radinho de pilha qualquer, dos jogos duros e disputados com o coração à frente de qualquer importância econômica. Dos estádios que reluziam uma cor acinzentada, porque a arquibancada ainda era um espaço aberto ao homem que se fodia toda a semana e precisa daquilo para sobreviver no mundo moderno. O futebol vai sumindo, e eu sinto como se estivesse perdendo um ente muito próximo e querido. Perturbam-me todos os dias as imagens que rechearam minha infância e parte da adolescência. Até que tudo começou a desmoronar, e eu, desde o início, percebia o que estava acontecendo. Odiava o que estava invadindo aquele universo mágico, que pra mim era quase perfeito, onde as derrotas e as vitórias faziam parte do todo, e você sabia lidar com isso. O futebol fazia homens de verdade, e acentuava a busca por si mesmo. Hoje ele é o maior, mais lucrativo e mais eficiente campo de formação de macacos de circo, adestrados e asseados, e divulgação de um meio de vida consumista e insuportável para os que sentem a bomba funcionando. O negócio é que não se trata de choro infantil, o treco é patológico. Está destruindo tudo aquilo em que acreditamos, e nos deixando cada vez mais putos, e de veias abertas perante o descaso humano ao confrontar tamanha tragédia.

As bandas de black metal norueguesas não sabem como é difícil a vida até passarem um mês aqui nessas bandas. E o futebol moderno sempre teve as portas do terceiro mundo escancaradas na imensa costa leste do continente novo. A ignorância tomou conta de vez, e sinto falta da certeza que um jogador saberia conceber uma entrevista e formular duas frases com sentido. Sinto falta da certeza de que você sempre veria uma partida decente, onde as pelotas não pareceriam queimar os pés dos atletas, como acontece hoje. Mesmo aquelas partidas ruins (e havia uma porção delas) soavam engraçadas, porque havia um punhado de senhores tentando crescer como indivíduos e praticando aquilo que pregavam – algo tão raro nesta era desgraçada.

Saudades do futebol ao vivo pela televisão, às quintas-feiras e sábados, onde não necessariamente os times grandes ocupavam a tela, e dos árbitros que defendiam a regra do jogo com ódio e fervor, porque amavam o esporte tanto quanto outros atores envolvidos no espetáculo. Hoje, eles não passam de ignorantes, sábios apenas de que dificilmente terão lugar no “mundo livre e competitivo” e conseguem, através do desejo das federações prostituídas e empresários manipuladores, um palco onde desfilam, duas horas por semana, uma suprema e inatingível autoridade – esta filha da puta autoridade que guia os comuns processos judiciais esportivos, que refletem muitas vezes a falta de colhões dos jogadores modernos. Todos querem privilégios, exigências. Nilmar parece um travesti, e a mídia impõe a opinião de que ele está certo, vivendo como em uma “prisão” e querendo se libertar – mártir da revolução da chuteira cor-de-rosa e macia. Esse é o lado que assusta pela surpresa, e sempre achamos que já vimos de tudo. Por outro lado, tenho ótimas lembranças, como a dos fortes times do interior e de seus jogadores raçudos. Havia um respeito às cidades pequenas, uma noção instantânea de que naquele retângulo descampado e bem aparado (às vezes esburacado, claro) jazia eternamente uma chance de devolver as injustiças da centralização social, por uma hora e meia que fosse. Ou simplesmente derrotar os badalados times da capital, como o fez a Internacional de Kita, Lê, Tato e Gilberto Costa. Saudades infernais dos campeonatos de juniores, que sempre antecediam as partidas principais; em especial o futebol se ressente dos garotos que não sonhavam com o velho continente.

Somente invadia seus corações um Morumbi, ou um Pacaembu lotado de gente urrando seu nome após um gol, ou um carrinho bem desferido (e há melhor satisfação do que essa para um jogador de futebol?). Sinto falta das palavras poderosas que sumiram do futebol: a honra, o dever... Por isso eu adoro os “300 de Esparta”, desde que foi lançada a coletânea em quadrinhos, em 1999. A troca do seu prazer, pela anestesia das dores de outrem, coincide com aquilo que o futebol me ensinou desde 1985, e antes disso também através das leituras e pesquisas. Não há nada mais digno do que uma pessoa atingir esse estágio, e no futebol eram freqüentes os casos de sacrifício. Alguns argumentam que os tempos mudam. Mas o que parece ter acontecido no futebol, ultrapassa os limites do bom senso e abre um abismo gigantesco entre a realidade social e a realidade financeira de um jogador. O respeito não pode mudar com os tempos, e o suor continua molhado até hoje. Da mesma maneira, não pode secar-se o choro no futebol. Hoje, é mais fácil enfrentar uma derrota humilhante com sorrisos cheios de dentes, porque, afinal de contas “amigo”, futebol é pra se divertir, dizem eles. As pessoas são contaminadas pelo veneno do futebol mercantil, e esquecem de que a violência, a defesa, a luta não são ações negativas. Elas apenas refletem o sentimento de amor a uma jaqueta; o respeito a uma história de esforço, uma saga de uma família, muitas vezes. E “quando todas as alternativas se esgotam, a violência é justificada”.

Resta alguma pacífica alternativa para romper com a tirania do futebol no segundo milênio? O futebol não é um teatro, o futebol é nosso – parafraseando meu amigo Malavita. Pouquíssimos jogadores têm isso em mente. Mas deveriam, porque, em teoria ao menos, ninguém leva uma pessoa forçosamente a ser um jogador. É uma escolha pessoal e muitas vezes natural, e ela tem que vir acompanhada da consciência de que este esporte é violento, viril e está tão longe quanto à compaixão de um traído pelo seu traidor, de ser apenas um passatempo ou uma atividade física recomendada por um médico. E exatamente por ser algo tão áspero é que, através dos séculos, apareceram tantos nomes geniais – modestamente acredito piamente que supere até a música, literatura, pintura, o teatro, cinema ou qualquer outra atividade cultural, mesmo que a maioria delas nos permeie desde o início dos tempos, enquanto que o futebol exista, como conhecemos, há pouco mais do que cento e quarenta anos. O caminho para o super-homem, algo que é “muito mais do que a vida e a morte”, segundo Sir Bill Shankly. Dessa maneira pessoas comuns calçam um par de chuteiras, e podem realizar algo que nos trará satisfação por toda a vida. Citei o espetacular batedores de faltas e lançador Gilberto Costa – um dos vários “Meninos da Vila”, de 78 – e logo me lembrei do que mais sinto falta no futebol atual (e sei, ao ler o livro “Febre de Bola”, de Nick Hornby, que não estou sozinho neste saudosismo): os meio campistas, legítimos camisas dez. Aqueles que regiam o jogo como uma criança controla sua pipa nos céus. Lembro de um Corinthians e Santos, em 1988, pelas semifinais do Paulista, e sempre brilha na minha alma um senhor chamado Mendonça – que em 1981 marcou um golaço pelo Botafogo carioca, nas semifinais do Brasileiro, no mesmo Morumbi que sete anos depois faria ecoar um “ohhh”, a cada toque de primeira, ou lançamento primoroso do, então, já veterano atleta. Eu não tinha idade pra entender profundamente o jogo em si, mas sabia que aquela pessoa era intocável, quase fictícia.

Ele faz parte da lista de jogadores que, mesmo que demonstrassem alguma deficiência aqui ou ali, não precisavam de mais nada para estar no mais alto patamar dos craques, juntamente com Pita, ‘Pepe’ Signori, Paul Gascoine, Glenn Hoddle, Dennis Bergkamp, Brian Laudrup, Luc Nilis, Helmut Haller, Luiz Suarez, Ralf Edstrom, Enzo Francescoli, Roberto Mancini, Fernando Redondo, Giovanni... Todos parcialmente ocultos devido à falta ou excesso de personalidade, uma contusão mais séria, ou simplesmente má sorte. Mas nenhum desses devia nada a ninguém em campo – deuses da bola! Os craques, os toques geniais, uma notável virada de campo com um chute de sessenta metros, hoje comemorados como um gol quando aparecem de tão escassos – sua ausência lastima e machuca de verdade, ó futebol. Gosto de refrescar minha memória até com os momentos que, para um garoto de seis anos, pareciam tensos e perigosos: os corre-corres nas arquibancadas (freqüentes, pra não dizer obrigatórios), acompanhados sempre do corpo do meu velho me envolvendo em proteção. Lembro de que eu sentia certa graça naquilo, porque dificilmente a violência chegava até onde estávamos, e eu sabia que nada de mais grave aconteceria, ao mesmo tempo em que centenas de torcedores gritavam para que fugíssemos. Ou seja, eu não ainda era corrompido nem mesmo pelo tesão das brigas e emboscadas aos visitantes (ou escapar delas quando saímos de nosso campo), tampouco por nenhuma filosofia de vida babaca. Ainda assim não me incomodava aquele tremor todo. Eu sabia que fazia parte do todo, e me excitava com aquilo. Eu havia escolhido ser um torcedor de futebol, não de automobilismo. Logo, sabia que não podia reclamar dos reveses da situação. Os rojões que pareciam perder a gravidade e completar a atmosfera, e faziam de um jogo qualquer uma barulhenta guerra de nervos. As torcidas, as bandeiras, as rampas dos estádios cortadas pelos toscos sacos de papel picados, que eram lavados por dois ou três brutamontes devido ao peso.

A liberdade de falar o que quiser, quando quiser e pra quem quiser. Não era anarquia, nem de longe. Era festa, celebração do ódio acumulado. Saudades insuportáveis do gosto do guaraná Brahma, que sempre adocicava minha boca nos intervalos, quando meu velho voltava, a duras penas, entre os torcedores desengonçados e mal acomodados, com três copos de papel cheios do líquido que também mataria a sede do meu irmão. Não pelo gosto em si do refrigerante. Mas aquilo fazia parte do dia de futebol da minha época, e hoje os produtos são vendidos em embalagens higiênicas e guardanapos de pano, tudo frescura de empresas monopolizadoras. Parecem aqueles lanches vendidos nos jogos de beisebol nos Estados Unidos, que os torcedores vão passando, de mão em mão, até a comida chegar ao comprador. Aliás, tudo está cada vez mais parecendo o “american way of life”. As pessoas que antes freqüentavam os campos eram diferentes. As conversas eram menos enjoativas, simples, seus ídolos não levavam medalhas do amor próprio, dessas que talham os peitos com a letra inicial de seus nomes idiotas. Até o grito de gol era, indiscutivelmente, mais emocionante, carnal, raivoso e sangrento. É fácil entender; eram gritos direcionados a homens naturais, que transmitiam essa energia pro povo e dele recebiam todo o amor possível de se cultivar de volta ao gramado. Das Copas do Mundo que vi quando pequeno, nem quero lembrar muito. Emoção extrema assim, misturada com o efeito Diadema em excesso, não vai me fazer muito bem.

A verdade é que minha geração viu o derradeiro suspiro do espírito antigo, e, por isso, eu instintivamente odeio praticamente tudo no futebol moderno. Vamos lá: as bolas leves e coloridas; as transmissões cinematográficas; a descaracterização do futebol na América do Sul, e o desaparecimento dos esquadrões que sobreviviam e se agigantavam de suas raízes (o futebol uruguaio que o diga); os jogadores que não ficam mais de pé no gramado, e se barbeiam duas vezes ao dia; os centros de compras, chamados de novas arenas; a invasão de camisetas européias nas ruas sul-americanas, e a obsessiva audiência aos torneios de lá, exatamente quando eles perderam qualidade; os programas de futebol na televisão, que não falam mais de futebol; o fim das peneiras nos clubes; a Lei Pelé, que fez os jogadores pensarem que são trabalhadores, “como qualquer outro”, e “têm direitos”, mesmo que na folha salarial deles possa constar uma quantia de duzentos mil reais mensais, ou mais – o jogador é um empregado de uma religião, onde a infidelidade não pode existir e o banco de reservas é a penitência àqueles que não rezarem com vontade! Sem essa mentalidade o futebol vai, paulatinamente, perdendo toda a força e emoção que tinha na época em que os europeus jogam na Europa. Já havia alguns ‘convidados’ ocasionais, e que tinham mesmo que merecer chegar lá pelo futebol provado em sua terra natal. Mais cada país tinha a identidade estampada em seus times, e isso, em especial nos campeonatos continentais, conferia as partidas uma sensação absoluta de comprometimento para com aqueles que mais se importam – os torcedores. Meus domingos eram divididos entre molho de tomate espirrado na cara toda, enquanto meus olhos esbugalhados assistiam um ‘tampinha’ driblar até a sombra dos marcadores carniceiros, e certo Marco ‘fuzilar’ arqueiros, ao som endiabrado de Sílvio Luís. E depois sou culpado de ser amargo! Até algumas temporadas atrás, eu ainda me arriscava a ver um jogo, ou seguir as tabelas das grandes Ligas. Mas não consigo mais fazê-lo. Simplesmente a essência lá não existe mais. Dia desses, nem mesmo a um jogo em Anfield eu tive estômago suficiente pra sobreviver mais do que trinta segundos, antes de voltar a trocar de canal. É quase o limite do fim. Confesso que ainda não abandonei por completo o futebol. Vez ou outra aparece um jogo como a final do Europeu, em 2005. E meu coração agoniza e eu sinto uma esperança burra.

Embora naquele jogaço eu gritasse até minha garanta sangrar, sei que o valor de um gol de carrinho do Biro-Biro é muito maior do que o gol equalizador de Xabi Alonso. Não pelo que o gol representou, ou trouxe pro seus respectivos times. Mas porque a essência que mantém vivo o jogo, naufraga junto com o nível dos seus atores. Inevitavelmente, continuam a nascer jogadores como Lugano, Juninho Pernambucano, Gerrard, Totti, Riquelme e Valdívia, e meus olhos colam na televisão. O problema é que, vagarosamente, esses craques vão se tornando exceções na regra da mediocridade, exatamente o inverso do que eu via há duas décadas. E essa proporcionalidade vale para tudo no cenário futebolístico. Mas tudo isso é lixo, não importa. É superficial demais perante as barreiras que nos cercam de verdade, e contra as quais temos que lutar todos os jogos, em especial aqui na capital mundial do combate ao torcedor do futebol, São Paulo. A principal dor que sinto hoje é não poder torcer mais como podia antes, essa é a dor na pele. “Um estádio sem faixas e bandeiras, é como um prato vazio, ou um céu sem estrelas”, dizia um trapo qualquer. A ditadura, a censura, os preços de NBA, com regulamentos e tabelas mais incompetentes do que no Torneo Apertura de Honduras, a imposição da soberania irresponsável invadindo a paixão de cada criança. Repressão é o grande soldado, defensor das finanças. Sinto falta do futebol sem medo de tudo e de todos.

Tenho uma terrível tendência de enxergar sempre o lado negativo das coisas, e no futebol isso faz com que cada pequena mudança nas regras, nas transmissões e, claro, nos uniformes simbolize uma momentânea visão do futuro, e ele sempre parece sombrio, aterrador e vazio. As regras podem e devem amadurecer com o tempo, não somente no esporte. Mas as mudanças não podem deixar para trás um funeral de emoções, como um estádio demolido sem outro motivo, senão acumular capitais. Isso realmente incomoda aqueles que desfrutaram de algo que lhes pertencia mais até do que sua própria vida.

Cuidado, senhores engravatados e cheios de boa vontade... Logo, logo, tomaremos tudo de volta, e a saudade será de vocês em relação à mordomia luxuosa da qual, pateticamente, gozam. Prefiro morrer primeiro, a acreditar que tamanha ignorância possa vencer nossa criatividade. Hasta!

Postado às 5:02 PM por Renato Corona.
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24.3.08

50 assassinatos



Todos têm acompanhado o que tem acontecido no Rio de Janeiro, dita como “cidade maravilhosa”, com relação aos problemas da epidemia de dengue. Embora o fraco ministro da Saúde, José Gomes Temporão, continue insistindo que isso não é uma epidemia, não tem como negar, já que são quase 24 mil casos confirmados desde os primeiros dias de 2008 (só na Capital), uma média de 300 novos casos por dia, com a 50ª morte confirmada hoje. Em três meses, o número é mais da metade do registrado em 2002, quando o Estado enfrentou uma das maiores epidemias de dengue dos últimos anos, com 91 mortes, sendo 64 na Capital.

E, para tirar o dele da reta ainda mais, o ministro teve a pachorra de culpar a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro como o grande responsável pela epidemia. Mesmo sendo considerado o culpado, o prefeito César Maia colocou toda a sua equipe na rua, para lutar contra o mosquito, e até as Forças Armadas já estudam uma forma de ajudar a cidade e o Estado. Até famosos, como o apresentador Luciano Huck, estão infectados com a doença.

Agora, o ministro José Gomes Temporão anunciou ações do governo federal para o combate à doença. As medidas "garantem" a contratação de 660 profissionais de saúde; a abertura de mais 119 leitos nos hospitais federais, incluindo 32 de UTI; o reforço de profissionais da Funasa no combate aos vetores; a implantação do cartão de acompanhamento do paciente e a intensificação de ligações de telemarketing nas áreas mais atingidas pela doença. Agora, depois que uma cidade inteira está infectada, assustada, amedrontada, morrendo nas filas dos hospitais, que também não estão lá essas coisas.

O presidente Lula disse que "a hora não é de apontar culpados, mas de deter a doença, dar atenção aos infectados e evitar o acúmulo de mortes". Mas é bom lembrar, presidente, que o causador de toda a confusão foi única e exclusivamente o seu ministro da Saúde, que poderia ter começado um trabalho de prevenção muito, mas muito tempo antes. Admira-me ele ainda ter ido para Cuba ou outro país bem longe, já que fez isso no início do ano, quando Goiás vivia uma crise de febre amarela (até então erradicada no Brasil).

Ele não é daqueles ministros que gostam de enfrentar as crises. É da turma do "relaxa e goza", da turma que não responde perguntas de humoristas em saídas de festas, da turma que compra tapiocas com o cartão corporativo... Ou seja, está no cargo apenas por estar, para aproveitar, faz seus funcionários trabalharem como bem entenderem e, quando são chamados para resolver as crises, não fala com a imprensa, viaja para fora do Brasil, relaxa e goza.

É desses tipos de ministros que estamos cercados. Que só aparecem para mostrar serviço depois que a bomba estourou. Gente que, em 2011, está aposentada, ganhando uma gorda bolada dos cofres públicos (leia-se seu dinheiro) e sentada na frente da sua televisão de plasma para ver a desgraça do povo, como sempre.

Abração a todos!

Postado às 5:41 PM por Renato Corona.
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20.3.08

Sem a menor vergonha



Em duas semanas, por quatro vezes foram quebrados os recordes de lentidão entre 9 e 9h30 na cidade de São Paulo. No dia 12, a maior marca do período foi de 186 quilômetros, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). À noite, o índice também se mantém elevado e chegou a 221 quilômetros de engarrafamento. Depois desta série de congestionamentos recordes, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab resolveu lançar nesta semana um pacotão de medidas para melhorar o trânsito na cidade.

Com toda a pompa de campanha, Kassab deu um verdadeiro show de medidas: anunciou obras em ruas, rotas alternativas, adequação de sinalização, restrição para carga e descarga e estacionamento em determinadas vias, entre outras ações. Com aquele ar de “que idéia brilhante, por que não pensei nisso antes”, o nosso estimado prefeito quer resolver o problema do trânsito.

Se você quer resolver mesmo, prefeito, comece colocando gente pra trabalhar na rua. Faça esse monte de vagabundo que está registrado na CET (sim, registrado, porque trabalhar lá, poucos trabalham) ir para as ruas para organizar o trânsito e dar mais fluidez aos carros.

Apenas para dar um pequeno exemplo ano nosso amigo leitor deste singelo blog, nos anos em que a cidade foi governada pela hoje deputada federal Luiza Erundina (de 1989 a 1992), a CET tinha cerca de 4 mil funcionários, 3 mil deles atuando diretamente nas ruas, e a cidade tinha uma frota de 3 milhões de automóveis. Hoje, com o dobro de carros nas ruas, quase 6 milhões, o órgão de trânsito tem menos funcionários (3,7 mil) e o número dos que estão na rua não chega a 2 mil. Ou seja, o que deveria crescer proporcionalmente, está diminuindo consideravelmente.

Para onde está indo o dinheiro que deveria ser investido todo mês no trânsito da Capital? Sim, porque há dinheiro, e muito, para o trânsito. A cada ano, é mais dinheiro que a Prefeitura destaca para este problema, um dos maiores da cidade. Há quem diga que o governo paulistano está com cerca de R$ 6 bilhões investidos, fazendo render para “viver de juros”, e que parte deste dinheiro é que deveria ser investido no trânsito. Que economia burra é essa?

O governador José Serra admitiu que “São Paulo tem problemas graves de transportes”. Descobriu a América. E Kassab teve a coragem de dizer, sem a menor vergonha, que está “corrigindo um grande equívoco das administrações anteriores”. Tenho dó do próximo prefeito, que deverá corrigir os erros que Kassab cometeu tentando corrigir os erros dos outros. E, se Deus quiser, o próximo prefeito não será Kassab.

Ah, e outra coisa, Senhor prefeito. O dia que algum morador, que estiver parado no trânsito ao seu lado, abrir o vidro para reclamar que estas medidas não serviram para nada, não se descontrole... Não saia gritando, chamando mais um munícipe, pagador de impostos, pagador do seu salário, de vagabundo.

Grande abraço!

Postado às 5:06 PM por Renato Corona.
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17.3.08

Em quem você votou?



Estamos em ano de eleição. É agora que começam os discursos do tipo "você se lembra em quem votou na última eleição?", ou "pense bem na hora de votar". São frases feitas, chavões que fazem parte de qualquer campanha eleitoral, que faz os brasileiros colocarem a mão na cabeça e descobrirem, dois ou quatro anos depois, que não lembram que número digitaram na urna eletrônica nas últimas eleições.

Assistindo "Pânico na TV" no último domingo, dia 16 (um dos poucos programas que me faz rir, satirizando quem deve ser satirizado, as celebridades), em um dos diversos quadros que o programa tem, um repórter fazia duas perguntas aos pedestres de São Paulo. A primeira delas era "quem foi o eliminado na última semana do Big Brother Brasil 8". Todos os abordados respondiam de bate-pronto: Marcelo. Na seqüência, uma outra pergunta: "quem é o vice-presidente do Brasil?" Ninguém sabia responder.

Outra pergunta que ficou sem resposta foi justamente sobre eleição. O repórter perguntava "em quem você votou no último paredão do BBB8?", e a resposta, claro, vinha na mesma velocidade da pergunta. Agora, quando o transeunte ela questionado sobre seu voto na última eleição, o repórter também não recebia nenhuma resposta.

Por quanto tempo mais teremos que conviver com este tipo de situação? Será que, mesmo com estes apelos (às vezes até dos próprios políticos) de que devemos nos lembrar de quem votamos, é mais fácil lembrar deste ou daquele pseudo-famoso que foi eliminado de um programa de televisão completamente sem nexo? Será que, mesmo com meios de comunicação e canais exclusivos, que mostram o dia-a-dia dos políticos, ainda tem gente que não sabe quem colocou lá dentro?

Sim, amigos leitores. Ainda tem muita gente que só pensa em eleição, em votação, quando interesses próprios estão em jogo. Ainda tem muito cidadão que vota neste ou naquele que prometeu ajudar durante a campanha e, depois de votado, nem se lembra que este cidadão existe. E maior ainda é o contingente de cidadão que acha que já fez muito em votar, que não deve cobrar, nem ao menos questionar o seu candidato, aquele que está a serviço do cidadão.

Não sou eu, não é você, não é um pequeno grupo de 15, 20 pessoas que vai mudar isso. Também não sou eu que pretendo enfiar essa consciência na cabeça de todo mundo. Eu tenho a minha consciência, sei exatamente quem devo cobrar, cobro sempre, e coloco a minha cabeça no travesseiro, toda noite, rezando para que o povo abra os olhos para isso e comece a se movimentar mais.

Eu faço a minha parte, sempre esperando que você faça a sua.

Grande abraço!

Postado às 11:48 AM por Renato Corona.
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8.2.08

Saiu pela culatra



O Brasil inteiro assiste à grande manifestação da imprensa, que trouxe à tona a questão dos gastos com os cartões corporativos do Governo Federal. Em 2007, o governo Lula gastou quase R$ 78 milhões com os cartões, indicados para gastos como a compra de material, prestação de serviços e diárias de servidores em viagens.

Porém, o que menos vimos foram esses tipos de gastos. Teve ministro gastando em free shop (aquele do aeroporto), em cervejaria, joalheria, veterinária, ótica e até tapiocaria. Só em saques “na boca do caixa”, foram R$ 58 milhões, e estes, não dá pra perceber onde foram parar, para quê foram gastos. Até ministro caiu por conta disso.

Então, a oposição (leia-se PSDB e DEM) resolveu pedir a abertura de uma CPI para investigar os gastos do Governo Federal. Claro, não deve haver abusos com o dinheiro público, não é mesmo?

Porém, é sempre bom lembrar que, quando se cospe pra cima, fatalmente vai cair na testa, mais cedo ou mais tarde. Os partidos governistas aceitaram a abertura da CPI, mas que a investigação comece desde o governo FHC, em 1998, quando já havia a prática do uso do cartão. A oposição gelou.

Agora, amigos leitores, veio à tona a história de que o governo paulista, comandado por José Serra (candidato vencido por Lula nas últimas eleições) gastou R$ 108 milhões com seus cartões corporativos. R$ 30 milhões a mais que o Governo Federal!

Diferentemente do Governo Federal, que lançou um portal para registro dos gastos, o Estado de São Paulo não oferece um sistema aberto com essa descrição. Os dados, obtidos via Assembléia Legislativa, mostram gastos em churrascarias, lojas de presentes, acessórios para casa e mais de R$ 48 milhões em saques (dinheiro vivo).

O jornal Folha de S.Paulo fez um comparativo dos gastos, até com gráficos. Veja:



Independente dos gastos e da forma como eles aconteceram, é dinheiro do povo. O povo está pagando as contas de Lula e, os paulistas, pagam as contas do Serra. As verdades estão aparecendo de um lado e de outro, e a pizza continua aí. Se olharmos tudo e em todo lugar, veremos que o buraco é bem mais abaixo dos cartõezinhos.

Pobre de nós, que pagamos impostos para vermos eles se divertirem.

Abração!

Postado às 5:00 PM por Renato Corona.
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21.1.08

Alckmin ou Kassab: eis a questão



Amigo leitor, desculpe o tempo que fiquei ausente do nosso blog, porém as festas de fim de ano, uma viagem em férias e alguns compromissos me fizeram deixar de escrever por um mês. Agora, volto com força total, e prometo não deixar você na mão!

O ano eleitoral mal começou e a briga política na cidade de São Paulo está fervilhando. Desde o ano passado, rumores indicavam que o ex-governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), depois que perdeu a corrida para a presidência, entraria com os dois pés na corrida pela cadeira de prefeito da maior cidade do país. Claro, ele é inteligente e sabe perfeitamente que é desta cidade que os principais destinos políticos do país.

Esta situação seria natural. Seria, se o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) não tivesse entrado em cena. Com a máquina na mão, ele percebeu o quanto é bom ser prefeito de São Paulo, o quanto um político se torna respeitado no momento em que comanda a megalópole. Claro, gostou da coisa, gostou do poder, gostou da notoriedade do cargo... Enfim, gostou de sentar na cadeira de prefeito.

Inteligente que também é, Kassab está transformando São Paulo em 2008 em um verdadeiro canteiro de obras, inaugurando pelo menos um equipamento público por dia. É ambulatório médico, obras de trânsito e de tráfego, obras de transportes coletivos. Não se sabe de onde, mas apareceram milhões e milhões para serem investidos, em todas as Secretarias e Subprefeituras da cidade.

Com isso, o até então desconhecido vice-prefeito de José Serra, o prefeito Kassab (ou, como gosta de dizer Paulo Henrique Amorim, assessor para assuntos municipais de Serra), não quer mais sair da Prefeitura. Eis que surge a pergunta: como um vai entrar se o outro não quer sair.

A posição de Alckmin é clara: quer ser prefeito de qualquer maneira. E Kassab quer a reeleição. Porém, os dois partidos são aliados políticos, as candidaturas, teoricamente, deveriam ser coligadas. Outro problema: Alckmin não admite ser vice de Kassab, e Kassab nem pode ser vice de Alckmin. Ou é um, ou é outro. Sinaliza-se até a possibilidade de os dois saírem candidatos, cada um pelo seu partido. Porém, isso dividiria os votos de uma camada grande de paulistanos, abrindo brechas para a oposição (leia-se PT) e colocaria areia nesta parceria entre PSDB e DEM, que já dura anos e anos.

Se os dois saírem candidatos, apesar de Kassab ter a máquina nas mãos, Alckmin leva vantagem, porque tem o apoio de grande maioria das cabeças pensantes da cidade. Kassab ainda é um desconhecido político, e o eleitor paulistano não gosta muito dessas renovações bruscas. Tem trauma de Celso Pitta.

Essa discussão é tão fervilhante que chegou até Brasília, na alta cúpula dos dois partidos. E, de fora, a oposição acompanha tudo, só esperando a hora certa de entrar na briga. Talvez estas sejam as eleições com mais amarrações e negociatas de bastidores da história da cidade. É esperar para ver!

Abraços!

Postado às 3:59 PM por Renato Corona.
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11.12.07

Vereadores desgovernados



Quando escrevi no meu último post sobre o rodízio e terminei a nota dizendo que os políticos “realmente não se preocupam com isso, já que carros oficiais são isentos de rodízio”, nunca imaginei que seria tão profético. Acabo de ler uma notícia que me estarreceu, que só poderia ter vindo da cabeça do vereador Adilson Amadeu.

As placas dos veículos utilizados por vereadores em São Paulo serão trocadas para que eles não sejam atingidos pela restrição do rodízio de veículos. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os parlamentares aproveitarão um privilégio concedido por norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) a presidentes de Câmaras Municipais: o uso de placas diferenciadas (pretas e sem a numeração e letras tradicionais).

O vereador Adilson Amadeu (PTB) defende a medida argumentando que um parlamentar de uma cidade como São Paulo não pode "ficar podado de andar em um dia de rodízio". Para ele, "isso (o uso de placa especial em carros parlamentares), perto dos 5,7 milhões de veículos (que circulam), é um pingo no oceano".

Amadeu informa que as placas estão sendo compradas. O processo está em fase de avaliação de preços. A expectativa é de que em 15 dias todos os carros estejam com as novas placas. Os vereadores de São Paulo têm à sua disposição 61 carros.

Juridicamente, a Casa se defende dizendo que a medida é uma "questão de eqüidade", já que os carros do Tribunal de Justiça e da Assembléia Legislativa gozam do privilégio.

O Carlos, leitor assíduo aqui do blog, fez um comentário assaz interessante, e que vale a pena ser divulgado. “Foi feita uma manobra sórdida, alugando carros (Astra) como se fossem para o presidente da câmara dos vereadores. Espertinhos, não? Minha sugestão seria que todos os políticos usassem transporte público e, seus filhos, escolas públicas. Quem sabe assim a qualidade não melhoraria...”

O que comentar de uma atitude como essa do vereador Adilson Amadeu? Dar uma de espertalhão só pra não cumprir o que todo paulistano deve cumprir? Usar de prerrogativas chulas pra ser melhor que o trabalhador paulistano? Tirar vantagens sobre a população que paga seu salário? E será que ele não tem vergonha dessa atitude?

Ano que vem, ele estará aqui em Vila Prudente e na Mooca, bairros onde sempre estou, pedindo votos. Para mim, uma pessoa como essa não é paulistano.

Abração!

Postado às 3:52 PM por Renato Corona.
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Desenhado por Ricardo Macedo